O Perfil na Pesquisa é uma página oficial dentro do Google que reúne site, redes sociais e posts recentes de um criador ou veículo de comunicação. A página tem um botão para o leitor seguir a fonte. O recurso chegou ao Brasil em 27 de outubro de 2026. Vale para quem tem pelo menos 10 mil seguidores no YouTube, Instagram, X ou TikTok. O Google afirma que o perfil não altera o ranking e concentra a promessa no Discover.
Criei o perfil do Canal Rural nesta semana, antes de entender direito para que ele servia. Depois fui atrás da documentação, abri a página publicada e conferi o código. Este texto organiza o que encontrei, incluindo o que não aparece no anúncio.
Em resumo
O Perfil na Pesquisa agrega a presença de uma marca em uma página do Google, acessível pelo Painel de Informações, pelo Discover e por link direto. Segundo o Google, ele não mexe no ranking, e quem segue o perfil tende a ver mais conteúdo da marca no Discover. As contas sociais verificadas entram automaticamente no Search Console. O principal cuidado é de governança, porque o perfil fica preso a uma conta Google individual.
Neste artigo
- O que o Google lançou no Brasil
- Quem pode ter um perfil
- O botão Seguir é o produto
- O que você controla e o que depende do Google
- Os dados que vieram junto
- Quem é o dono do perfil
- Os links do perfil, conferidos no código
- O que esperar e como medir
- Perfil, Painel, Perfil da Empresa e Fontes preferidas
- Perguntas frequentes
O que o Google lançou no Brasil
O anúncio brasileiro saiu no blog do Google em 27 de outubro, assinado por Ibrahim Badr, gerente de produto da Busca. O texto apresenta o recurso como um espaço compartilhável para criadores e veículos destacarem artigos, vídeos e posts de várias plataformas. O nome oscila conforme a fonte. O blog fala em Perfis na Busca, enquanto o produto, a central de ajuda e o site do Google para Criadores usam Perfil na Pesquisa. Fico com o nome que aparece na tela.
Há três caminhos até o perfil. O primeiro é o Painel de Informações, o quadro que aparece quando alguém pesquisa o nome da marca. O segundo é o nome da fonte no topo de um card do Discover. O terceiro é o endereço direto, no formato profile.google.com/@handle, e o do Canal Rural é profile.google.com/@canalrural.
O perfil não hospeda conteúdo. A central de ajuda informa que não há publicação nativa e que o conteúdo vem das plataformas vinculadas, com atraso de 24 a 48 horas. Dá para fixar e destacar o que já foi publicado nessas contas. Quem esperava um canal novo para postar vai encontrar uma vitrine, com as regras de quem é dono do shopping.
O Brasil entrou na terceira leva. O recurso estreou nos Estados Unidos em 4 de junho e chegou à Índia e ao Canadá em 6 de outubro. Naquele dia, Robby Stein, vice-presidente de produto da Busca, avisou que o Brasil viria em seguida. Veículos como o InfoMoney divulgaram o próprio perfil no dia do lançamento brasileiro.
Quem pode ter um perfil
A regra atual pede 10 mil seguidores em uma única conta pública de YouTube, Instagram, X ou TikTok. O responsável precisa ter 18 anos ou mais, e o conteúdo precisa respeitar as políticas do Google. Esse corte já caiu duas vezes. No lançamento americano, segundo o Search Engine Journal, a exigência era de 100 mil seguidores em YouTube, Instagram ou X, ou 300 mil no TikTok. Em 16 de setembro, o Google chegou aos 10 mil atuais.
O detalhe que interessa ao Brasil está na lista de plataformas. Facebook e Threads ficam fora da regra de elegibilidade, mas aparecem dentro do perfil. No do Canal Rural, o Facebook vem em primeiro, com 1,13 milhão de seguidores, seguido de Instagram, YouTube, Threads, TikTok e X. A página soma 3,27 milhões de seguidores.
Para veículos que cresceram dentro da Meta, isso tem duas consequências. Quem só tem Facebook forte fica de fora, porque essa base não abre a porta sozinha. Quem passa do corte em outra rede entra e pode levar o Facebook junto para a vitrine.
O botão Seguir é o produto
A central de ajuda diz que criar o perfil não afeta diretamente a classificação na Pesquisa Google. A promessa declarada envolve o Discover, o feed da tela inicial do app do Google. Quem segue o perfil pode ver mais conteúdo da marca ali.
Foi aqui que o produto fez sentido para mim. O Google transformou o seguir em um gesto explícito, com botão próprio, e o perfil é a página onde esse gesto acontece. A documentação do Search Central acrescenta que o efeito alcança o conteúdo vinculado ao perfil, incluindo Instagram, TikTok, YouTube, X, Facebook e o site.
Já levantei aqui a hipótese de portais de notícias virarem redes sociais. O perfil leva a lógica do seguir para dentro da busca, e o Discover vira o feed onde ela acontece. Para veículo de notícia, esse feed pesa no tráfego e oscila muito, como escrevi quando o Google começou a colocar IA no Discover. Um seguidor declarado é o mais perto de uma assinatura que o Discover oferece, e mesmo assim o Google usa a palavra chance.
O Google também quer que você leve leitores do seu site para o perfil. Desde 16 de setembro, há documentação oficial para colocar um selo do perfil no próprio site. O processo pede a URL do perfil, os arquivos do selo disponibilizados pelo Google e um link simples, como este:
<a href="https://profile.google.com/@seuhandle"
aria-label="Find us on Google Search">
<img src="/caminho/para/google-search-badge.svg" alt="Google Search">
</a>
A documentação também aceita um link em texto, para assinaturas de autor, newsletters e bios. Quem já exibe o selo de Fontes preferidas pode usar os dois. Nesse caso, o Google pede o botão do perfil com rótulo, para diferenciar um selo do outro.
O que você controla e o que depende do Google
O perfil parece autoatendimento, mas várias mudanças passam por aprovação. Alterações no nome e no texto do Sobre são tratadas como sugestões, revisadas pelo Google antes de publicar. Pedidos para vincular uma plataforma nova também passam por análise, e o Google pode negar contas que considere irrelevantes para a marca.
Ficam com você a ordem das plataformas, a remoção de contas, as imagens, até 8 links e até 8 posts fixados. Os fixados saem do feed de posts recentes, que mostra os últimos 100 posts publicados nos últimos 365 dias.
O texto do Sobre pede mais cuidado do que parece. Segundo o Google para Criadores, o Painel de Informações usa essa biografia para mostrar um resumo gerado por IA. Você escreve o insumo, e o Google escreve a apresentação da marca na busca.
A ordem das plataformas também é uma decisão editorial. No perfil do Canal Rural, em 28 de outubro, o Facebook aparecia primeiro e a aba de artigos do site vinha por último. Os posts recentes abriam nas publicações do Facebook. Muitos desses posts terminam com o aviso de matéria completa no link da bio. Dentro do perfil do Google, esse caminho não leva a lugar nenhum.
Como reordenar e remover plataformas vale na hora, essa escolha merece ser feita de propósito. Na mesma data, o perfil também não tinha nenhum post fixado, que é o espaço mais nobre da página.
Os dados que vieram junto
A parte mais subestimada do lançamento está no Search Console. Segundo a documentação do Search Central, quem reivindica o perfil tem todas as contas verificadas adicionadas automaticamente como propriedades. Cada rede passa a ter relatório próprio de desempenho na Busca, no Discover e no Google News.
O Search Console já aceitava contas sociais como propriedades, mas a verificação era feita uma a uma. O perfil resolve isso de uma vez. Para quem gerencia mídia, dá para ver quais vídeos do YouTube ou posts do Instagram recebem cliques do Google, por quais consultas e em quais países.
Dentro do perfil há uma área de Insights, ainda em Beta, com conteúdo de melhor desempenho, cliques, impressões e alcance por país. Os filtros separam período, superfície do Google e conta social. Esses números ficam visíveis apenas para a conta Google que reivindicou o perfil, um detalhe que parece pequeno até chegar a hora de decidir quem é o dono.
Quem é o dono do perfil
A central de ajuda é explícita sobre isso. O perfil fica vinculado a uma Conta do Google individual, e só uma conta pode reivindicar cada perfil. A transferência de propriedade exige o formulário de suporte. Uma mesma conta pode reivindicar até 10 perfis, e desde setembro o Google permite gerenciar submarcas com um único login.
Para um grupo de mídia, essa é a decisão mais importante do processo, e é fácil tomá-la no impulso. Quem cria o perfil com o e-mail pessoal de um analista amarra a presença oficial da marca no Google a um vínculo de trabalho. Se essa pessoa sair, a recuperação depende de suporte. Grupos com mais de dez marcas qualificadas vão precisar de mais de uma conta, o que exige um mapa claro de quem administra o quê.
Conheço o lado ruim dessa história em outra plataforma. Contei aqui como um hacker entrou na conta do Canal Rural em minutos enquanto eu passava meses tentando ser atendido pela Meta. A lição se aplica ao Google também. Perfil oficial de marca pede conta corporativa, dono definido, verificação em duas etapas e alguém que responda por ela.
Os links do perfil, conferidos no código
Logo depois do lançamento americano, Cyrus Shepard, da Zyppy, observou que os links do perfil não tinham nofollow, segundo relato publicado pela Similarweb. Conferi no perfil do Canal Rural em 28 de outubro. A página renderizada tinha 19 links externos, entre site, links cadastrados e as seis redes, e nenhum deles trazia o atributo rel.
O robots.txt do profile.google.com libera o rastreamento e declara um sitemap próprio. A página do Canal Rural tem canonical apontando para ela mesma e nenhuma meta robots. Tudo indica uma página feita para ser rastreada e indexada.
Até onde isso vai, ninguém fora do Google sabe. Link sem nofollow em subdomínio do Google não prova que algum sinal de autoridade chega ao seu site, e a marcação pode mudar a qualquer momento. Trato isso como curiosidade técnica, sem peso na decisão de criar o perfil.
O que esperar e como medir
Com base na documentação e no que vi até agora, minha expectativa é modesta e concreta. O tráfego orgânico não deve mudar por causa do perfil, e o próprio Google diz isso. O que pode mudar com o tempo é a distribuição no Discover entre quem segue a marca. Também aumenta o controle sobre como a marca aparece quando alguém pesquisa o nome dela.
A medição começa no relatório do Discover, no Search Console do site, comparando períodos antes e depois do perfil. Os Insights do perfil mostram o conjunto, e as propriedades sociais mostram cada rede separadamente. No Analytics, o tráfego de referência vindo de profile.google.com tende a mostrar quantos leitores saem do perfil para o site.
Fica uma ressalva de método. Até onde encontrei na documentação, os relatórios não separam o tráfego do Discover que vem de seguidores do perfil. Qualquer atribuição será por correlação, então convém anotar a data de criação no Search Console e medir sem pressa.
O perfil leva minutos para criar e custa pouco para manter. O cuidado que ele exige está na conta que vai administrá-lo e no texto que vai alimentar a IA do Google.
Perfil, Painel, Perfil da Empresa e Fontes preferidas
Os quatro recursos têm nomes parecidos e funções bem diferentes. A tabela resume o que cada um faz, com base na documentação do Google.
| Recurso | O que é | Quem controla | Onde aparece | Efeito declarado |
|---|---|---|---|---|
| Perfil na Pesquisa | Página oficial que agrega site, redes e posts recentes | Criador ou veículo, com aprovação do Google para nome, bio e novas plataformas | Painel de Informações, Discover e link direto | Seguidores podem ver mais conteúdo no Discover, sem efeito direto no ranking |
| Painel de Informações | Quadro de entidade montado pelo Google | Google, com sugestões de quem reivindica | Resultados de busca pelo nome | Apresenta a entidade e, com o perfil, ganha avatar, posts e resumo por IA |
| Perfil da Empresa no Google | Cadastro de empresa com presença local | Empresa verificada | Busca e Maps | Presença local, e para empresas e marcas o Painel continua ligado a ele |
| Fontes preferidas | Preferência do leitor por veículos | Leitor | Principais notícias | A fonte escolhida aparece com mais frequência nos resultados de notícias |
Perguntas frequentes
O que é o Perfil na Pesquisa do Google?
É uma página oficial dentro do Google que reúne site, redes sociais e posts recentes de um criador ou veículo, com um botão para seguir. O acesso acontece pelo Painel de Informações, pelo Discover ou por um link no formato profile.google.com/@handle.
Quem pode criar um Perfil na Pesquisa no Brasil?
Desde 27 de outubro de 2026, criadores e veículos com pelo menos 10 mil seguidores em uma conta de YouTube, Instagram, X ou TikTok. O responsável precisa ter 18 anos ou mais, e o conteúdo precisa seguir as políticas do Google.
O Perfil na Pesquisa melhora o ranking no Google?
Segundo a central de ajuda, criar o perfil não afeta diretamente a classificação do conteúdo na Pesquisa Google. O efeito declarado está no Discover, onde quem segue o perfil pode ver mais conteúdo da marca.
O Facebook conta para a elegibilidade?
Não. A regra considera apenas YouTube, Instagram, X e TikTok, mas Facebook e Threads podem aparecer vinculados ao perfil depois que ele é criado.
Dá para publicar conteúdo direto no perfil?
Não. O perfil agrega o que sai nas plataformas vinculadas, com atraso de 24 a 48 horas, e permite fixar até 8 posts dos últimos 365 dias.
Quantos perfis uma conta Google pode gerenciar?
Até 10 perfis por conta. Cada perfil, porém, só pode ser reivindicado por uma conta, e a transferência exige o formulário de suporte do Google.
Como colocar o selo do Perfil na Pesquisa no meu site?
Depois de reivindicar o perfil, baixe os arquivos do selo na documentação do Search Central e crie um link para profile.google.com/@seuhandle. O Google também aceita um link em texto em assinaturas, newsletters e bios.


