A Canva anunciou que 1.271 pessoas, 22% da empresa, serão “impactadas” por uma reorganização: parte muda de função, parte é convidada a se mudar para hubs centralizados e parte sai. O anúncio está na carta ao time assinada pela CEO e cofundadora Melanie Perkins, publicada na newsroom da empresa e relatada pela TechCrunch em 4 de novembro de 2026. A carta não diz quantas pessoas deixam a Canva. Perkins escreve que este foi “o ano mais difícil até agora” e que o crescimento “desacelerou pela primeira vez em uma década”. A TechCrunch atribui o corte da previsão de receita aos custos de IA, e o B9 liga a reorganização à conta da IA: segundo as duas publicações, a previsão de crescimento de receita para 2026 caiu de 30% para 20%. Esse dado não está na carta.
Resumo: 1.271 pessoas (22%) afetadas; a carta não separa demissões de realocações. Produto, Growth e Plataforma viram uma só organização de Produto. Sydney concentra mais equipes de produto. Híbridos no escritório 2 a 3 dias por semana a partir de janeiro. Quem sai recebe no mínimo seis meses de salário, 12 meses de plano de saúde onde existe, o MacBook e pode pedir US$ 10 mil para empreender. All Hands em 10 de novembro. Previsão de receita cortada de 30% para 20%, segundo TechCrunch e B9.
Neste artigo
- O que a carta diz
- As três mudanças
- O que recebe quem sai
- A conta da IA
- O que a Canva não disse
- Perguntas frequentes
O que a carta diz
A carta, intitulada “An important update on our team”, abre com a decisão de mudar “como estamos organizados, onde algumas das nossas equipes ficam e os papéis e habilidades de que precisamos para o futuro”. Perkins chama o momento de “o mais difícil dos nossos treze anos de história” e diz que “pequenas mudanças não serão suficientes”: a empresa precisa se “refundar” (a expressão usada é “refound Canva”), voltando a “equipes pequenas e autônomas”. A Canva tem equipes em 37 países, e as conversas com os afetados seguem as exigências e os processos de cada lugar.
As três mudanças
A primeira junta Produto, Growth e Plataforma em uma única organização de Produto; segundo a carta, melhorar uma parte do produto exigia navegar entre as três áreas, “com mais passagens de bastão e coordenação do que o necessário”. A segunda reduz subespecialidades e camadas da estrutura, incorporando funções estreitas a papéis mais amplos. A terceira concentra equipes: Sydney “se tornará a casa principal de mais das nossas equipes de produto”, e, a partir de janeiro, a maioria dos funcionários híbridos deve ir ao escritório “cerca de 2 a 3 dias por semana”. O All Hands da empresa é em 10 de novembro; as reuniões por organização começam no dia 11.
O que recebe quem sai
- pelo menos seis meses de salário, incluídos os direitos legais, em qualquer país, e fim da carência de um ano do vesting para quem entrou nos últimos 12 meses;
- 12 meses de plano de saúde onde a empresa oferece a cobertura e 12 meses do programa de assistência ao empregado (Canva Care), extensivo a familiares;
- coaching, preparação para entrevistas, um ano de LinkedIn Premium e o MacBook da empresa;
- o Canva Collective Fund, com bolsas de US$ 10 mil para quem quiser abrir um negócio ou projeto comunitário, com registro de interesse até 14 de dezembro e sem participação da Canva no que for criado.
A conta da IA
A carta não cita custo de IA; a ligação é feita pela imprensa. A TechCrunch, em texto de Ivan Mehta, escreve que a Canva cortou a previsão de crescimento de receita de 30% para 20% por causa do aumento dos custos com IA e que a empresa lança modelos próprios para depender menos de terceiros; a mesma matéria diz que investidores iniciais reduziram a avaliação da empresa para cerca de US$ 35 bilhões no início do ano. O B9, em texto de Carlos Merigo, traz os números que a própria Canva divulga: custo por tarefa cerca de 90% menor desde o Canva IA 2.0, lançado em abril, e mais 46% de redução com o Canva Brush, modelo próprio apresentado no fim de outubro, em comparação com o agente anterior. São percentuais da empresa, sem valor absoluto. O B9 também registra que a Canva fechou 2025 com mais de 265 milhões de usuários mensais e mais de 31 milhões pagantes.
O mecanismo é o que o Cientistas Digitais descreveu em Anthropic fatura US$ 17 bi e tem prejuízo operacional no 3º tri: cada tarefa de IA consome computação, e o custo cresce com o uso. A análise do Cientistas Digitais sobre o Claude Haiku 5.5 mostra a outra ponta: modelos mais baratos para o grosso do trabalho, a redução que a Canva busca com modelo próprio.
O que a Canva não disse
A carta não informa quantas das 1.271 pessoas são desligadas, quantas mudam de função e quantas são convidadas a se mudar; não diz em quais países as mudanças se concentram; não cita receita, previsão de crescimento nem custo de IA. A previsão de 30% para 20% vem da TechCrunch e do B9, e o valuation de US$ 35 bilhões só da TechCrunch, não de documento da empresa.
Perguntas frequentes
A Canva demitiu 1.271 pessoas?
Não é o que a carta diz. As 1.271 pessoas são as “impactadas”: mudança de função, realocação ou saída. A Canva não divulgou quantas estão em cada grupo.
O que muda para quem usa o Canva?
A carta não anuncia mudança de preço, plano ou recurso; o que muda é a organização interna.
Por que a Canva está cortando?
Perkins cita o ano mais difícil da empresa e o crescimento desacelerado pela primeira vez em uma década. A relação com o custo da IA é apontada pela TechCrunch e pelo B9.
Matéria produzida pela redação automatizada do Cientistas Digitais (CD Bot) a partir das fontes listadas abaixo e revisada antes da publicação.
Referências
- Canva Newsroom: An important update on our team (carta de Melanie Perkins ao time, lida em 05/11/2026)
- TechCrunch, Ivan Mehta: Canva lays off over 1,200 people amid slowing growth (04/11/2026)
- B9, Carlos Merigo: Canva fala em “refundar” empresa enquanto tenta fazer a conta da IA fechar (04/11/2026)
- Cientistas Digitais: Anthropic fatura US$ 17 bi e tem prejuízo operacional no 3º tri (03/11/2026)
- Cientistas Digitais: Claude Haiku 5.5: o modelo barato para o grosso do trabalho (07/10/2026)


