AI Mode: o Google subiu os links e abriu a porta ao anúncio

O Google pôs mais links no topo do AI Mode e dos AI Overviews, sem dados de clique, e diz que resumos do seu Gmail podem virar anúncio.

Quim PierottoQuim Pierotto22/10/2026
AI Mode: o Google subiu os links e abriu a porta ao anúncio

Imagem criada por inteligência artificial

Em 15 de outubro o Google anunciou que colocou mais links, e mais acima, nas respostas do AI Mode e dos AI Overviews. Na mesma semana, uma página de ajuda da empresa sobre o Personal Intelligence explicava que resumos e inferências tirados do seu Gmail e do seu Google Fotos, quando conectados ao AI Mode, “podem ser usados para mostrar anúncios”. Na minha leitura, as duas notícias são a mesma: o Google está arrumando a vitrine da busca com IA para que ela sustente publishers o suficiente para continuar existindo e anunciantes o suficiente para pagar a conta. O que ele continua sem publicar é o número que importa: quantos cliques esses links geram.

Resumo: o post oficial, assinado por Hema Budaraju, VP de produto, fala em “aumentos contínuos e substanciais” de links inline nas respostas de IA, exibidos mais acima; testa uma seção no topo com um ou dois sites oficiais para a tarefa; expande os carrosséis de notícias, que passam a destacar as Fontes Preferidas; coloca miniaturas nos links relacionados; e testa nomes de criadores clicáveis nos vídeos do AI Mode, levando a um perfil dentro do Google. O uso das Fontes Preferidas cresceu “mais de 7 vezes” no ano, segundo a empresa. Dados de clique: nenhum; ao Search Engine Roundtable, o Google disse que segue “trabalhando com donos de sites para entender quais métricas são mais úteis”. Na ajuda do Google, a regra para anúncios: não se baseiam “diretamente” no Gmail ou no Fotos, mas os resumos e inferências extraídos deles podem servir para anunciar; categorias sensíveis ficam de fora. O que fazer: pedir para o leitor marcar você como fonte preferida, medir clique na página de destino e tratar o AI Mode como mídia paga em construção.

Neste artigo

O que mudou nos links, item por item

O post do Google se chama “More ways to connect with the web from Search” e lista cinco mudanças:

  • Mais links inline, mais acima. A frase oficial: “We’ve made continued and substantial increases to the presence of inline links in our AI experiences”. Os links aparecem mais cedo na resposta com mais frequência. Está em lançamento, sem escopo geográfico declarado.
  • Seção de sites oficiais no topo. Para tarefas em que existe um site “oficial” (renovar documento, acessar uma conta), uma seção destaca um ou dois links com explicação. Em teste.
  • Carrosséis de notícias em mais lugares e idiomas, destacando as Fontes Preferidas que o usuário escolheu. Em expansão global, sem países nomeados.
  • Links relacionados com miniatura e desenho mais clicável no fim de algumas respostas.
  • Nome de criador e publisher clicável em resultados de vídeo do AI Mode, levando primeiro a um perfil de busca dentro do Google. Em teste desde a semana do anúncio.

O único número do post é sobre as Fontes Preferidas: o uso “cresceu mais de 7 vezes desde o início do ano”. Expliquei como ativar esse recurso em Google Preferred Sources: como aparecer mais no Top Stories. Ele passou de detalhe de configuração a alavanca de distribuição dentro da IA.

O detalhe do nome de criador merece atenção: o clique leva a um perfil no Google, não ao site. É mais um passo em que o Google vira destino, o padrão que descrevi em Buscas zero-click: quando o Google vira o destino final.

O número que o Google continua sem dar

Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, escreveu no mesmo dia que elogia a tentativa do Google, mas que a métrica que ele quer e considera mais útil é o clique, nos relatórios de desempenho de IA. A resposta que o Google deu a ele, citada no artigo: a empresa segue “continuing to work with website owners to understand what insights will be most helpful” e vai “introduce additional metrics over time”.

Esse é o mesmo silêncio que analisei em O número que o Google passou dois anos dizendo que não existia. Sem clique por link de IA, “mais links” é uma afirmação que só o Google pode verificar. O que o publisher consegue medir é a página de destino: sessões vindas de google.com em páginas que você sabe que aparecem em respostas de IA, antes e depois de 15 de outubro. É um proxy ruim. É o único disponível.

Fica como hipótese minha: o anúncio saiu na mesma semana em que o Google divulgou 400 publicações no piloto de IA para notícias, enquanto o cheque do piloto de pagamento a publishers, que descrevi em Google paga por conteúdo usado na IA, continua pequeno. Link visível é a moeda mais barata para manter publishers na mesa.

Os anúncios e os dados do Gmail

A outra ponta é a página de ajuda do Google sobre o Personal Intelligence, o recurso que conecta Gmail, Google Fotos e, nos Estados Unidos e em inglês, o Agenda ao AI Mode. A página diz, em sequência: “Ads will not be based directly on your Gmail inbox or your Google Photos library”; a busca pode usar “summaries, excerpts and inferences” dessas fontes; e “that same info may be used to show you ads”. Anunciantes não têm acesso ao Gmail nem ao Fotos. Categorias sensíveis, como raça, religião, orientação sexual e saúde, ficam fora da personalização. A conexão se faz e se desfaz em Connected Content Apps, exige a configuração Personalized Recommendations ligada, e o que foi salvo fica em Search Services History.

Leia a frase com cuidado. “Não diretamente” significa que o anúncio não lê o e-mail; ele lê o resumo que a IA fez do e-mail. Para o usuário, na minha leitura, a diferença é de arquitetura, não de resultado. Para o anunciante, a página não anuncia nenhum controle, segmentação ou relatório; é uma regra de uso de dados. A página não diz se esses anúncios já aparecem para quem conectou os apps. A conexão está disponível para maiores de 18 anos em uma lista longa de países e territórios, e o Google recomenda não conectar apps com informação confidencial, porque uma parte do que o AI Mode processa é vista por revisores humanos.

Junte as duas notícias. Links para cima, anúncios personalizados previstos na regra. Minha leitura: o AI Mode está deixando de ser experimento e virando a página de resultados do Google, com as mesmas duas colunas de sempre: o orgânico, que agora vem em forma de link inline, e o pago, que poderá usar o que a IA inferiu do seu e-mail.

O que fazer com isso

  • Peça a Fonte Preferida. Um banner, um e-mail, um Stories. O recurso cresceu sete vezes e agora alimenta os carrosséis dentro da IA. É a única alavanca de distribuição que depende do leitor, não do algoritmo.
  • Seja o site oficial da sua tarefa. A seção de sites oficiais privilegia quem é a fonte primária de um processo. Marca com área logada, serviço ou documento tem vantagem; conteúdo que explica o processo de outro, não.
  • Meça a página de destino, não espere o relatório de IA. Defina as dez URLs que você sabe que aparecem em AI Overviews e acompanhe sessões diárias desde 15 de outubro.
  • Trate o AI Mode como mídia paga em construção. Se o seu negócio depende de busca paga, o anúncio personalizado por inferência de Gmail é o próximo inventário. Vale acompanhar antes de haver controle para anunciante.
  • Volte ao básico de AI Overviews: estrutura clara, resposta direta no topo da página, dado próprio. O link inline precisa de um motivo para existir.

Na minha leitura, o Google deu aos publishers o que custa menos: visibilidade de link, sem prova de clique. E deu aos anunciantes o aviso do que a regra permite: segmentação por inferência de dados pessoais. Enquanto o Google não mostrar clique por link de IA, a única resposta honesta sobre o efeito dessas mudanças é “ninguém fora do Google sabe”.

Perguntas frequentes

O que o Google mudou nos links do AI Mode em outubro de 2026?

Mais links inline, exibidos mais acima nas respostas; uma seção de sites oficiais no topo em teste; carrosséis de notícias em mais regiões e idiomas, destacando Fontes Preferidas; links relacionados com miniatura; e nomes de criadores clicáveis em vídeos, em teste. O anúncio é de 15 de outubro de 2026.

O Google mostra quantos cliques os links do AI Mode geram?

Não. O Google não publicou dados de clique dos links dentro das respostas de IA, e o post de 15 de outubro não traz nenhuma métrica de tráfego. Ao Search Engine Roundtable, a empresa disse que vai introduzir métricas adicionais ao longo do tempo, sem prazo.

O Google usa meu Gmail para anúncios no AI Mode?

Segundo a página de ajuda do Google, os anúncios não se baseiam diretamente na caixa de entrada nem na biblioteca de fotos, mas resumos, trechos e inferências extraídos desses apps, quando conectados, podem ser usados para mostrar anúncios. Categorias sensíveis ficam de fora, e a conexão é opcional.

Como aparecer nos carrosséis de notícias do AI Mode?

Os carrosséis passaram a destacar as Fontes Preferidas escolhidas pelo usuário. Pedir ao leitor que marque o seu site como fonte preferida no Google é a ação direta; o Google diz que o uso do recurso cresceu mais de sete vezes em 2026.

Referências

Quim Pierotto
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